Ópio e Morfina

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Ópio e Morfina

 

Definição
As substâncias chamadas de drogas opiáceas ou simplesmente opiáceos são aquelas obtidas do ópio. Os opiáceos são substâncias extraídas de uma planta chamada popularmente de papoula (Papaver somniferum), que depois de cortada elimina um líquido leitoso branco, semelhante a um suco, que ao secar passa a ser chamado de ópio, daí o nome opiáceo.

Podem ser opiáceos naturais quando não sofrem nenhuma modificação (morfina, codeína) ou opiáceos semi-sintéticos quando são resultantes de modificações parciais das substâncias naturais (como é o caso da heroína que é obtida da morfina por meio de uma pequena modificação química).

A palavra opióide é usada para nos referirmos às substâncias produzidas pelo nosso organismo (como as endorfinas, encefalinas e dinorfinas) que agem ligando-se aos receptores opióides endógenos. Alguns autores usam o termo opióide também para se referir as substâncias totalmente sintéticas, fabricadas em laboratório e que não são derivadas do ópio, como é o caso da meperidina, do propoxifeno e da metadona, que são chamadas de opióides (isto é, semelhantes aos opiáceos). Todas elas têm um efeito analgésico (tiram a dor) e um efeito hipnótico (dão sono). Por ter estes dois efeitos estas drogas são também chamadas de narcóticas. Os opiáceos são drogas com grande importância na Medicina, pois são poderosos analgésicos. Entretanto, também são usados como drogas de abuso, e sua dependência pode se instalar rapidamente.

 

Histórico
O ópio foi largamente utilizado na antiga civilização mediterrânea, tanto que estatuetas encontradas com mais de três mil anos representavam deusas sacerdotisas com papoula (flor do ópio) desenhadas na testa. Os Sumerianos (atual Irã) utilizavam a papoula de ópio, que era a “planta da alegria”, para ter contato com os deuses há 4.000 a.C. Posteriormente o ópio era livremente cultivado por camponeses europeus (1.500 d.C.). Em 1776, o uso do ópio foi amplamente incentivado na guerra civil americana para aliviar a dor. E em 1814 a morfina foi sintetizada a partir do ópio sendo utilizada como meio anestésico. Logo surgiram os efeitos colaterais desta substância.

 

Na história dos opiáceos existem algumas datas importantes:

1803 – A morfina foi isolada do ópio por Frederick Serturner;
1832 – A codeína foi extraída do ópio;
1874 – Primeira vez que a heroína foi produzida a partir da morfina;
1898 – A Bayer Company produz a heroína como substituto da morfina;
1922 – Foi restringida a importação do ópio, exceto para uso medicinal;
1924 – A fabricação e posse de heroína tornou-se ilegal.

 

Mecanismo de Ação
Todas as drogas tipo opiáceo ou opióide têm basicamente os mesmos efeitos no sistema nervoso central: diminuem sua atividade. As diferenças ocorrem mais em sentido quantitativo. Todas essas drogas produzem anestesia e hipnose (aumentam o sono), daí receberam também o nome de narcóticos, que são as drogas capazes de produzir esses dois efeitos: sono e diminuição da dor.

Por isso, recebem também o nome de drogas hipnoanalgésicas. Para algumas drogas a dose necessária para esse efeito é pequena, ou seja, são bastante potentes, como a morfina e a heroína.

Em geral, as pessoas que usam essas substâncias sem indicação médica, procuram efeitos característicos de uma depressão geral do cérebro: um estado de torpor, como isolamento da realidade do mundo, calmaria na qual realidade e fantasia se misturam, afeto meio embotado e se paixões.

 

Efeitos no Organismo
As pessoas sob ação dos narcóticos apresentam contração acentuada da pupila dos olhos (miose), que às vezes chegam a ficar do tamanho da cabeça de um alfinete. Há também uma paralisia do estômago e o indivíduo sente-se empachado, com o estômago cheio, como se não fosse capaz de fazer a digestão. Os intestinos também ficam paralisados e, como conseqüência, a pessoa que abusa dessas substâncias, geralmente apresenta forte prisão de ventre. É com base nesse efeito que os opiáceos são utilizados para combater as diarréias, ou seja, são usados terapeuticamente como antidiarréicos.

 

Além desses os outros efeitos são:

Analgesia (reduz ou elimina a sensação de dor);
Deprime o centro da tosse (por isso é usado em xaropes);
Sonolência;
Bradicardia (diminuição da freqüência cardíaca);
Bradipnéia (diminuição da freqüência respiratória);
Hipotensão arterial (diminuição da pressão);
Acalmia: estado de serenidade, calma momentânea após um período de agitação (efeito buscado pelas pessoas que fazem abuso dos opiáceos);
Hipotensão arterial severa;
Coceira, náusea e vômito;
Constipação, enfraquecimento dos dentes;
Dificuldade de concentração e de se lembrar das coisas;
Redução do desejo e do desempenho sexual;
Dificuldades de relacionamento;
Problemas profissionais e financeiros, violações da lei;
Tolerância e dependência, sintomas de abstinência;
Overdose e morte por insuficiência respiratória.

 

Conseqüências Negativas
Os narcóticos usados por meio de injeções, ou em doses maiores por via oral, podem causar grande depressão respiratória e cardíaca. A pessoa perde a consciência e fica com uma cor meio azulada, porque a respiração muito fraca quase não oxigena mais o sangue e a pressão arterial cai a ponto de o sangue não mais circular normalmente: é o estado de coma que, se não tiver o atendimento necessário, pode levar à morte.

Literalmente, centenas ou mesmo milhares de pessoas morrem todo ano na Europa e nos Estados Unidos intoxicadas por heroína ou morfina. Além disso, como muitas vezes esse uso é feito por injeção com freqüência, os dependentes acabam também por adquirir infecções como hepatites ou mesmo AIDS. No Brasil, uma dessas drogas foi utilizada com alguma freqüência por injeção venosa: é o propoxifeno (principalmente o Algafan®). Acontece que essa substância é muito irritante para as veias, que se inflamam e chegam a ficar obstruídas. Houve muitos casos de pessoas com sérios problemas de circulação nos braços por causa disso. Houve mesmo descrição de amputação desse membro devido ao uso crônico de Algafan®. Felizmente, esse uso irracional do propoxifeno não ocorre mais no País.

Além disso, o organismo humano torna-se tolerante a todas essas drogas narcóticas. Ou seja, como o dependente não consegue mais se equilibrar sem sentir seus efeitos, ele precisa tomar doses cada vez maiores.

 

Dependência e síndrome de abstinência
Outro problema com essas drogas é a facilidade com que levam à dependência, tornando-se o centro da vida dessas pessoas. E quando esses dependentes, por qualquer motivo, param de tomar a droga, ocorre um violento e doloroso processo de abstinência, com náuseas e vômitos, diarréia, cãibras musculares, cólicas intestinais, lacrimejamento, corrimento nasal etc., que pode durar de 8 a 12 dias.

A dependência dos opiáceos se instala com certa facilidade, porém, isso não justifica o cuidado excessivo de muitos médicos ao prescrever esses medicamentos. A morfina é um dos poucos medicamentos que abranda a dor e o sofrimento provocados pelo câncer e pela AIDS. Nesses casos, muitos pacientes sofrem desnecessariamente por falta do uso dos opiáceos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou o Brasil, mais de uma vez, pelo baixo consumo desses medicamentos nos casos de doenças que causam dores intensas.

 

Consumo no Brasil
De acordo com o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil – estudo envolvendo as 108 maiores cidades do País, realizado em 2005 pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad em parceria com o Cebrid/Unifesp e que envolveu 7.939 pessoas, entre 12 e 65 anos – mostrou as estimativas de uso na vida de Analgésicos opiáceos (Meperidina®, Dolantina®, Demerol®, Algafan®, Tylex®, morfina). As porcentagens estão de aproximadamente 1,3%, o que equivaleria a uma população de 668.000 pessoas. Em todas as faixas etárias, houve predomínio de uso na vida por mulheres em relação aos homens.

 

OPIÁCEOS – Estatísticas (download PDF)

Fonte: Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas
Imagens: Google imagens