Vereador Nelson Hossri denuncia manobras da base ao MP

O vereador Nelson Hossri (Podemos) denunciou uma série de manobras da base do governo Jonas Donizette na Câmara Municipal de Campinas ao MP (Ministério Público). Entre as situações relatadas pelo parlamentar estão a retirada das assinaturas na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda, a eleição para a presidência da Casa, o depoimento do secretário de governo, Michel Abrão Ferreira e a votação CP (Comissão Processante) contra o vereador Tenente Santini ontem.

Na representação protocolada no MP, Nelson solicita que seja investigado possíveis atos de improbidade administrativa, em violação aos princípios da moralidade e impessoalidade praticadas por agentes políticos.

Para o vereador, os acontecimentos citados na representação são exemplos claros da interferência do Poder Executivo na Câmara, especialmente através de manobras que evitam prejuízos à imagem do prefeito. No caso da CPI da Merenda, por exemplo, quatro vereadores da base retiraram a assinatura após perceberam que o pedido já contava com as 12 assinaturas necessárias.

“A Câmara de Campinas deixou, há muito tempo, de ser um poder independente. A exoneração de cargos e a saída do plenário são indícios externa para proteger o prefeito”, declarou o vereador Nelson Hossri.

Confira os quatro pontos listados na representação de manobra da base de governo:

1) Retirada de assinaturas da CPI da Merenda e ameaça ao vereador Nelson Hossri

Em novembro do ano passado, os vereadores Gilberto Vermelho, Jorge Schneider, Edison Ribeiro e Cidão Santos retiraram a assinaturas da CPI da Merenda, obstruindo a abertura da investigação. A motivação para a desistência, ao que tudo indica, foi coação/ pressão exercida pelo Poder Executivo local, tentando preservar a imagem, já desgastada, da Administração Pública por conta da operação Ouro Verde.

Uma semana depois, o vereador Nelson Hossri chegou a receber uma ligação anônima com ameaças de morte horas antes da sessão plenária que votou o pedido de abertura de Comissão Processante contra o prefeito Jonas Donizette (PSB) exigindo que o vereador desistisse de investigar o roubo na merenda escolar e contra o pedido de CP.

2) Eleição para a Presidência da Câmara Municipal de Campinas

Em sessão extraordinária em dezembro do ano passado, apenas 18 dos 33 vereadores compareceram na reunião e votaram a favor do atual presidente da Câmara, Marcos Bernardelli. Outros 14 vereadores, sendo parte da base governista, deixaram de comparecer ao plenário no momento da votação.

No início do mês, o prefeito chegou a exonerar oito comissionados ligados ao PSL como forma de retaliar o vereador Edison Ribeiro (PSL), que estava apoiando a pré-candidatura do vereador Gilberto Vermelho (PSDB), em desconformidade com a orientação do Poder Executivo, que apoiou o vereador Marcos Bernardelli (PSDB). Dias depois, em 18 de dezembro, os funcionários foram recontratados após Edson Ribeiro declarar a mudança no voto.

3) Depoimento do secretário Municipal de Governo, Michel Abrão Ferreira

Em março, o secretário Michel Abrão Ferreira esteve na Câmara para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento no caso de desvios no Hospital Ouro Verde, mas usou boa parte do tempo para discorrer sobre religião, fazer propaganda institucional do governo e responder de forma evasiva os questionamentos dos parlamentares.

O vereador Nelson Hossri chegou a pedir a prorrogação da sessão, mas a base saiu do Plenário para provocar o esvaziamento e encerramento da reunião. Um minuto depois, os mesmos vereadores retornaram ao local para dar início à sessão ordinária.

4) Votação da Comissão Processante contra o vereador Tenente Santini

Após a leitura da denúncia, em sessão do dia 24 de junho, parte dos 21 parlamentares presentes na abertura da segunda parte da sessão retiraram-se do Plenário, não consignaram voto pelo sistema eletrônico e apenas 14 vereadores votaram a favor do pedido – dos 17 necessários.

Ainda assim, o presidente da Câmara, Marcos Bernardelli, tentou aceitar a abertura da comissão, mas só voltou atrás após recomendação da Procuradoria da Casa sobre a falta de quórum. A sessão foi encerrada somente após protestos de vereadores e do público presente no Plenário.